Orientação do Dia
14 dez
Tudo depende do nosso coração, da nossa “mente de fé”. Como Daishonin diz: “O que realmente importa é a fé.” (MW 1, p.246) Atingir a Budicidade, ou seja, estabelecer uma condição de vida de felicidade absoluta, depende totalmente da força da nossa fé. Por isso o nosso coração não deve ser abalado. Não devemos permitir que o nosso coração seja afectado pela inveja e pela cobardia, mas devemos sim desenvolver um “coração de fé” forte e generoso. Pois nisto reside a felicidade.

História da SGI-Portugal

A história da SGI-Portugal começa com a visita do Presidente Ikeda a Portugal, em 1965, numa altura em que não havia membros da organização a praticar no país. Ele próprio se referiu a esta viagem no discurso na Reunião de Responsáveis de Centro, no Japão, em 2006, onde participaram 16 representantes de Portugal, dizendo:

“Visitei Portugal pela primeira vez em Outubro de 1965, quando ainda não existia um único membro da Gakkai no país. Foi exactamente por isso que eu fui. Naturalmente, não havia ninguém para me saudar na minha chegada ou para ser meu intérprete. Pisei o solo de Portugal e orei fervorosamente para os Bodhisattvas da Terra emergirem do solo. E não foi só em Portugal que isto aconteceu – fiz o mesmo de país em país à volta do globo. Dediquei toda a minha vida a desbravar o caminho da propagação da Lei Mística em territórios por explorar.”

A propósito ainda desta viagem, o Presidente Ikeda faz uma reflexão sobre a característica mais importante dos portugueses, que ele acredita que está reflectida na própria história de Portugal, no espírito corajoso daqueles que se desafiaram a desbravar caminhos onde eles não existiam, ligando uns continentes aos outros pela via marítima, ultrapassando assim o seu medo do desconhecido e do que se escondia do outro lado do “cabo dos medos”:

A história de Portugal ensina-nos que sem coragem não pode haver progresso nem vitória. Como Nichiren Daishonin sugere quando afirma, 'Os discípulos de Nichiren não conseguirão alcançar nada se forem cobardes' (WND-1, 481), kosen-rufu não pode ser realizado se tivermos uma determinação fraca. Uma nova rota de kosen-rufu será construída através da coragem. Temos que navegar para além do nosso próprio ‘cabo dos medos. (Daisaku Ikeda, A Nova Revolução Humana)

Iniciada esta nova rota em Portugal com o poderoso daimoku e a visita do Presidente Ikeda, a Sra. Imanishi, membro japonesa com forte voto para realizar kosen-rufu, chega a Portugal para viver, em 1989. Na mesma reunião no Japão, em 2006, com a Sra. Imanishi presente, o Presidente Ikeda louvou o seu espírito pioneiro:

Uma mulher foi pioneira do caminho de kosen-rufu em Portugal quando, há 20 anos atrás [em 1986], viajou para esse país com o seu marido, que tinha sido transferido para lá pelo seu patrão. O seu nome é Sumiko Imanishi, e hoje ela juntou-se a nós vinda da sua actual casa em Hokkaido, no norte do Japão. Obrigado por ter vindo! (...)
Ela empenhou-se arduamente; sei-o muito bem. Em 1987, um ano após ter-se mudado para Portugal, a minha mulher e eu encontrámos a Senhora Imanishi em Paris. Eu perguntava-me como é que ela estaria e queria encorajá-la e apoiá-la de alguma forma. Elogiando os seus esforços pioneiros, disse-lhe que se ela invocasse daimoku e apoiasse assiduamente cada indivíduo, certamente chegaria o dia em que existiriam muitos membros em Portugal. A minha mulher e eu demos-lhe 20 estojos de juzus para os membros que nós sabíamos que iriam surgir no futuro. A Sra. Imanishi esforçou-se seriamente. A sua sinceridade e devoção foram realmente admiráveis. Em 1992, logo após ter regressado ao Japão, depois de cinco anos de residência em Portugal, o capítulo pelo qual os membros tanto ansiavam foi finalmente formado. Hoje, Portugal tornou-se numa organização com quatro capítulos. E tudo começou com os esforços dedicados de uma mulher. (Daisaku Ikeda, discurso na 61ª Reunião de Responsáveis de Centro, Tóquio, 15 de Junho de 2015)

A partir da luta da Sra. Imanishi, foram surgindo pessoas interessadas, que se tornaram membros, e outros membros vindos do estrangeiro surgiram também, até que foi formado um grupo em Lisboa e outro no Porto. O Dr. Yamazaki, na altura o responsável da SGI-Europa, vinha regularmente a Portugal para apoiar as actividades da organização que começava a surgir. Esta nova onda de pessoas leva à fundação do Capítulo Portugal em 1992.

Em 1993 houve a primeira entrega de Gohonzon em Portugal, em que foram entregues 15 Gohonzon!

Ao longo dos anos, entre 1992 e 2002, a organização contou também com o forte apoio dos responsáveis nacionais da SGI-Espanha, que se deslocavam frequentemente a Portugal para encorajar e apoiar as actividades, bem como convidando os membros de Portugal a participarem nos seus seminários no Centro Europeu de Trets, em Marselha.

Sueji Naohara regressa a Portugal em 1996 e assume a responsabilidade pelo departamento de jovens, que lhe havia sido confiada pelo Presidente Ikeda.

Em 1999, Hiroko Azevedo chega a Portugal com o seu marido, José Azevedo, e torna-se na primeira responsável de mulheres do Capítulo Portugal.

Em 2000, Sueji Naohara torna-se director-geral da SGI-Portugal e responsável do departamento de homens, e são fundados os quatro departamentos, com Etusko Motoki como responsável de jovens mulheres e Rui Lopes Graça como responsável de jovens homens, e Miguel Fung torna-se responsável de jovens.

O movimento de kosen-rufu em Portugal expande-se para fora de Lisboa e Porto, chegando às Caldas da Rainha, ao Algarve, a Braga, a Coimbra e a Fátima.

Em 2005 a organização reestrutura-se e passa para quatro capítulos e um centro. É também no ano de 2005 que se realiza o primeiro seminário da SGI-Portugal no centro europeu de Trets. Este é o aniversário dos 40 anos da visita do Presidente Ikeda a Portugal.

Em Maio de 2006 há 336 membros em Portugal e, juntos, numa campanha de diálogo sem precedentes, conseguem realizar diálogos com 1111 pessoas, como preparação para o primeiro Curso de Treino da SGI-Portugal no Japão que vai ter lugar em Junho desse ano, e onde o Presidente Ikeda no seu discurso faz menção a essa campanha, com enorme alegria:

Hoje, os membros em Portugal estão vibrantemente activos sob a liderança do Responsável Central da SGI-Portugal Sueji Naohara, do Secretário-Geral Rui Lopes Graça, e da Responsável do Departamento de Mulheres Hiroko Azevedo. Soube que se realizaram vigorosas reuniões de diálogo durante este mês, com a presença de muitos convidados. Os jovens constituem 60 por cento dos membros em Portugal. Isso promete um futuro brilhante. Portugal triunfou! (Daisaku Ikeda, discurso na 61ª Reunião de Responsáveis de Centro, Tóquio, 15 de Junho de 2015)

Nesta ocasião, relembrando o papel pioneiro da Sra. Imanishi na construção da SGI-Portugal, o Presidente Ikeda acrescentou:

No passado, ofereci à Sra. Imanishi e aos seus companheiros membros em Portugal este poema em louvor aos seus valentes esforços:

Graças a vocês a Primavera chegou a Portugal.

E, de facto, uma gloriosa Primavera de esperança chegou. Isso é verdadeiramente maravilhoso. Em décadas passadas, nunca ninguém pensou que alguma vez surgissem tantos membros em Portugal e que a bandeira de kosen-rufu ali ondulasse orgulhosamente. Mas eu orei profundamente e dei passos determinados, e depois a Sra. Imanishi ergueu-se para prosseguir o caminho.

[Para a Sra. Imanishi] A senhora venceu. Eu venci também. Obrigado.

(Daisaku Ikeda, discurso na 61ª Reunião de Responsáveis de Centro, Tóquio, 15 de Junho de 2015)

Gradualmente o movimento de kosen-rufu em Portugal expandiu-se à Madeira e aos Açores, num espírito vibrante e de alegria contagiante. Chegou também a Viseu, Castelo Branco, Abrantes, Peniche e ao Alentejo e, mais recentemente, a Santarém. Em 2009 a organização legaliza-se como associação cultural. Na mensagem que enviou para a ocasião, o Presidente Ikeda escreveu:

Soube que este mês a SGI-Portugal teve reconhecimento oficial enquanto entidade legal. Estou absolutamente radiante e estou a celebrar esta notícia junto com a minha esposa, Kaneko, clamando “Hurrah, SGI-Portugal!” A vitória que vocês atingiram é prova concreta dos vossos esforços tenazes e firmes durante todos estes anos, para desenvolverem diálogos para a paz e a causa da justiça nas vossas respectivas comunidades e na sociedade em geral. (Daisaku Ikeda, mensagem para a reunião de responsáveis de dia 24 de Janeiro de 2009)

Em 2011 é inaugurado o Centro Cultural da SGI-Portugal, em Lisboa, na rota que o Presidente Ikeda usou para chegar ao Padrão dos Descobrimentos em 1965. Hoje, a SGI-Portugal é constituída por mais de 700 membros – sete capítulos, um distrito nos Açores e um grupo na Madeira. No mês de Outubro de 2015 comemoraram-se 50 anos sobre a visita do Presidente Ikeda a Portugal.