Orientação do Dia
17 jan
Certamente, a nossa realidade diária é uma sucessão interminável de mudanças. Contudo, nós que invocamos o Daimoku da Lei Mística e que nos dedicamos ao avanço de Kosen-Rufu não nos rendemos ao turbilhão das marés da impermanência que levam ao sofrimento. Ao contrário, transformando as mudanças num ímpeto para acumular boa fortuna eterna, empreendemos vidas repletas de alegria.

Gohonzon

O objecto de devoção no budismo de Nichiren chamado Gohonzon, tem a forma de um pergaminho inscrito em caracteres chineses e sânscritos. Os membros da SGI recebem o seu próprio Gohonzon, que consagram nas suas casas, e no qual se focam quando invocam daimoku.

O significado do Gohonzon não reside no sentido literal dos caracteres, mas no facto de ter sido criado por Nichiren como a incorporação física, sob forma de uma mandala, da lei intrínseca e eterna de Nam-myoho-rengue-kyo. A frase "Nam-myoho-rengue-kyo Nichiren" está escrita em caracteres destacados no centro do pergaminho.

Ao inscrever o Gohonzon para a felicidade de toda a humanidade, em 12 de Outubro de 1279, o único propósito de Nichiren foi o de ajudar qualquer pessoa, independentemente do seu género, raça ou estatuto social, a experienciar a mesma iluminação que ele próprio tinha atingido.

O Gohonzon é uma personificação do estado de Buda que existe dentro de cada um de nós. Contudo, para a maioria de nós, este estado permanece como um potencial que não se realiza; está latente, mas precisa de ser “activado”. Através da prática diária frente ao Gohonzon podemos revelar essa natureza de Buda latente. O Gohonzon, num certo sentido, é como uma máquina de exercício espiritual – através dele, desenvolvemos as nossas vidas, já que simplesmente possuir o potencial não é suficiente.

Nichiren encoraja-nos, “quando invoca myoho e recita rengue, deverá convocar uma fé profunda de que Myoho-rengue-kyo é a sua própria vida” (WND-1, 3). Nichiren ensina-nos, por outras palavras, que a nossa vida é o maior tesouro.

A nossa condição interior transforma-se constantemente quando temos contacto com diferentes estímulos exteriores: pessoas, meteorologia, uma obra musical, a cor das paredes... tudo isso cria um grau de influência sobre nós. Uma pintura pode levar um espectador a sentir-se alegre, calmo ou revoltado, e uma carta pode trazer alegria, choque ou consternação. O Gohonzon é o estímulo que nos ajuda a extrair o mais elevado estado de vida, percepcionar o estado de Buda como a verdadeira natureza da nossa vida e viver em harmonia com o nosso meio ambiente.

Para transmitir esta mensagem, Nichiren baseou a imagem gráfica do Gohonzon numa cena do Sutra do Lótus e na teoria da posse mútua dos Dez Mundos, que expressa que o mundo da Budicidade existe enquanto potencial a cada momento ou em cada condição de vida de uma pessoa. Por outras palavras, o mundo da Budicidade não reside fora da nossa existência diária ou do nosso ser – ele é inerente à nossa própria vida.

Os caracteres maiores de "Nam-myoho-rengue-kyo" ao centro do Gohonzon representam esta compreensão. À esquerda e à direita de "Nam-myoho-rengue-kyo", desenhadas em caracteres mais pequenos, estão as várias figuras que representam os Dez Mundos na vida do Buda. Nichiren indicou graficamente que todos estes mundos são iluminados por "Nam-myoho-rengue-kyo", ou a Lei Mística, e que estão contidos no mundo da Budicidade e vice-versa.

Ou seja, todos os seres são Budas. É somente a questão de despertarmos para esta compreensão e vivermos de uma forma que manifeste esta verdade. No budismo de Nichiren, invocar ao Gohonzon e tomar acção para o bem dos outros é a forma de alcançar isto.